1º
SEMINÁRIO SOBRE O TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA
TEA
Local:
Auditório da Secretaria Municipal de Educação
Data: 28 de agosto de 2025
No
dia 28 de agosto, aconteceu o I Seminário sobre o
Transtorno do Espectro Autista - TEA, com uma participação
de mais de 300 pessoas. O Seminário foi promovido
pela Academia de Educação de Feira de Santana
com o apoio da Secretaria Municipal de Educação
e do Jornal Tribuna Feirense, sendo realizado no auditório
daquela Secretaria.
A ideia do Seminário surgiu após uma palestra
proferida pelo Dr. Gil Fernandes na Academia de Educação
o ano passado, no Casarão dos Olhos Dágua,
gerando muito interesse por parte dos membros da Academia.
Antes de iniciar os trabalhos o autista Yago declamou uma
poesia de sua autoria, ele que também é artista
e durante o Seminário permaneceu no auditório
pintando uma tela que foi sorteada com as mães que
apresentaram depoimentos.
Na parte da manhã, três profissionais fizeram
abordagens sobre o tema, com diferentes olhares, de acordo
com suas especialidades. A Psicopedagoga Isabel Cristina
de Araujo Almeida falou sobre O diagnóstico,
recursos disponíveis e a intervenção
clínica e educacional, apresentando um verdadeiro
passo a passo da situação, desde o nascimento,
o diagnóstico, a situação da família
diante da descoberta, onde todos são atingidos, pais,
avós, irmãos, falando sobre os desafios iniciais
até o entendimento da realidade e quais os procedimentos
a serem adotados. Disse que o diagnóstico inicial
muitas vezes não é o correto, sendo constatado
posteriormente a verdadeira situação. Ela
ressaltou que a família, com o coração
despedaçado, diante da primeira constatação,
quer investir em todas as áreas para ver logo um
resultado e esclareceu que as múltiplas especialidades
devem funcionar interligadas, cada uma com sua particularidade,
com condutas científicas adequadas para cada caso.
o Psiquiatra Adriano da Silva Oliveira apresentou Questionamentos
do autismo hoje, iniciando a sua fala sobre o preconceito,
dizendo que o verdadeiro exercício do amor não
cansa o coração e que somente o amor fará
vencer as barreiras do preconceito. Descreveu as várias
formas de se enfrentar as situações, descreveu
também as comorbidades associadas ao TEA e explicou
a respeito da necessidade de se observar as atividades básicas
como o sono, a rotina, a alimentação e até
o uso das telas para que a criança possa evoluir.
Apresentou ainda informações sobre os tratamentos
medicamentosos e o sistema endocamabinoide. O Advogado Gil
Fernandes, além de abordar as Questões
sociais e jurídicas apresentou um emocionante
relato sobre a descoberta do autismo no seu filho e a sua
trajetória profissional a partir dessa descoberta.
Ressaltou que o autismo não escolhe classe social,
nem cor, ele simplesmente surge. E relatou a fala de uma
professora quando disse que há mais de 30 anos ensinou
a cegos, a surdos e a pessoas com diversas dificuldades,
mas o que a incomoda é ensinar o autista porque não
dispõe de ferramenta adequada para tal. E observou:
educação inclusiva não significa apenas
colocar o aluno atípico na sala de aula junto com
os demais que não tenha deficiência. Antes
de tudo é preciso que o professor tenha as ferramentas
adequadas para atuar. Ele ressaltou que a maior ferramenta
de inclusão é a informação dos
pais, pois eles são os que melhores conhecem seu
filho, autista ou não. Após as exposições
aconteceu um debate com a intervenção dos
presentes.
À tarde, a Diretora do Centro Municipal Integrado
de Educação Inclusiva Colbert Martins da Silva,
Profa. Izabella Carvalho, fez uma detalhada apresentação
daquele equipamento, como funciona, a forma de atendimento,
os espaços da infraestrutura, todos eles com sua
especificidade no atendimento das crianças com deficiência,
alunos da rede municipal. Ela concluiu dizendo que os desafios
são grandes porem a força de vontade e o olhar
do poder público municipal têm sido fundamentais
para o caminho que está sendo seguido.
Em seguida a Psicopedagoga Talyta Meirelles, que atua naquele
Centro Inclusivo, fez uma abordagem sobre o Autismo
na Escola: possibilidades reais em contextos desafiadores,
voltando seu olhar para os desafios da inclusão,
afirmando que a centralidade da inclusão é
a criança e o ponto chave, independente da deficiência
é presumir competência. Ela disse que a garantia
do acesso é um desafio porem o maior desafio é
garantir a aprendizagem de um autista. A inclusão
é um recorte do sistema educacional que se apresenta
com uma realidade cheia de grandes desafios. O caminho a
ser percorrido exige registro constante, estratégia
de regulação emocional, formação
entre pares e a celebração das pequenas conquistas.
A aprendizagem só acontece de verdade quando ela
é generalizada. Deve acontecer em todos os ambientes:
na escola, em casa, onde quer que a criança esteja.
Também aconteceram depoimentos de cinco mães
atípicas, que relataram suas experiências,
os desafios enfrentados, dizendo que cuidar de um filho
autista é atuar como mãe, como psicóloga,
como educadora, tudo ao mesmo tempo, com o único
objetivo: ver o filho crescer, se desenvolver e ser feliz.
O presidente da Academia de Educação Professor
José Raimundo Azevedo, ao concluir as atividades,
externou a sua alegria em ter sido possível realizar
aquele evento com expressiva participação,
esperando que os resultados possam ser visualizados através
de práticas e ações que resultem na
ampliação do atendimento especializado e eficaz
ao autismo.
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