CADEIRA NÚMERO 1

PATRONO

ALICE DE OLIVEIRA COSTA
(1911 - 1996)

ALICE DE OLIVEIRA COSTA, filha de Flamínio Antonio Costa e Eulina de Oliveira Costa, nasceu em Salvador em 05 de fevereiro de 1911, no seio de uma família numerosa. Perdeu a mãe muito jovem e o pai dedicou-se integralmente à educação dos filhos, procurando preencher a ausência materna. A convivência com muitos irmãos e a necessidade de ajuda mútua moldou, em sua percepção, um traço do seu caráter - a cooperação. Mas esse não foi o único aspecto relevante da sua personalidade, era apenas o do seu auto-reconhecimento. Os que com ela conviveram percebiam o profundo senso de justiça, a lealdade e a perseverança no agir cotidiano como as marcas do seu modo de ser. Muito cedo revelou suas aptidões intelectuais e desenvolveu o gosto pela leitura e pela aprendizagem de idiomas. Com determinação, aprendeu em casa, quase sem ajuda, a língua francesa.

Ingressou na Faculdade de Filosofia da Bahia, hoje Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia, em 15 de março de 1943, ano do início das atividades dessa instituição, para cursar Pedagogia, fazendo parte, portanto, da primeira turma que concluiria o bacharelado em 05 de dezembro de 1945. Neste dia a Faculdade de Filosofia, com a paraninfia de Isaias Alves, entregou à sociedade baiana os primeiros bacharéis, formados em sua terra, em letras, pedagogia, filosofia, matemática, geografia e história e ciências sociais. A licenciatura seria concluída no ano seguinte.

Na Faculdade de Filosofia, cursando Pedagogia, nasce o seu maior interesse - a Psicologia e suas aplicações à educação. É nesse período que dirige a sua curiosidade intelectual para o trabalho de Helena Antipoff, psicóloga russa que a convite do governo de Minas Gerais havia se transferido para o Brasil, em 1929, e lá desenvolvia amplo trabalho na área da Psicologia Educacional com a criação do Laboratório de Psicologia Aplicada na Escola de Aperfeiçoamento de Professores de Minas Gerais e com a instalação, em 1932, da Sociedade Pestalozzi de Minas Gerais.

De 1944 a 1949, Helena Antipoff trabalhou no Ministério da Educação e Saúde tendo importante participação na institucionalização do Departamento Nacional da Criança e da Sociedade Pestalozzi do Brasil. Visita Salvador e busca o apoio do governo do Estado para a sua empreitada que era a disseminação de instituições para o atendimento de crianças excepcionais. A resposta que obtém do interventor Pedro Aleixo é a de que o Estado não tinha recursos nem para cuidar dos normais, quanto mais dos anormais. Tem Alice sua primeira grande decepção e, talvez, a partir desse fato, desenvolvido certo ceticismo com relação às ações governamentais.

Recém-graduada em Pedagogia e com os interesses profissionais claramente definidos pela Psicologia, viaja em 1947 para a França, e em Paris, na Sorbonne, realiza seus estudos de pós-graduação. Lá consolida a sua formação acadêmica com o aprofundamento das concepções e influências que marcariam a sua trajetória profissional.

Na Sorbonne, torna-se aluna de Henri Wallon, então grande pesquisador na área de Psicologia do Desenvolvimento e político atuante na educação. Aprofunda-se na concepção do desenvolvimento cognitivo do professor Wallon que há pouco (1945) havia publicado a sua obra mais importante "Les origines de la pensée chez l'enfant" (As origens do pensamento na criança). É sob essa influência que Alice desenvolve uma atitude crítica a qualquer concepção reducionista, tanto na Psicologia, quanto na percepção do mundo. Abre-se às influências da psicanálise e amplia seus horizontes na concepção do desenvolvimento cognitivo e afetivo da criança e do adolescente. É a partir dos estudos de Wallon que compreende o desenvolvimento do pensamento como resultado das interações dos fatores orgânicos com as influências sócio-culturais, amplia os seus estudos para a psicanálise e para a concepção do desenvolvimento cognitivo de Piaget. A psicanálise para compreender os conceitos de emoção e afetividade e Piaget para entender a evolução cognitiva, numa mesma linha interacionista, como Wallon propunha. A síntese dessas concepções - Wallon, Piaget e Freud consolidam a sua formação teórica.

Além da formação teórica, Wallon lhe proporciona a descoberta de uma bem sucedida ação política na educação. É com entusiasmo que acompanha o resultado da atuação dele como Secretário da Educação Nacional e como presidente da comissão de reforma educacional do pós-guerra. O trabalho dessa comissão, iniciado ainda nos porões da resistência francesa ao invasor nazista, o Plano Langevin-Wallon, foi elaborado para a França do pós-guerra e tinha como objetivo a reconstrução da França democrática depois da 2ª grande guerra. A reforma altera profundamente o ensino francês até então dicotomizado entre os que podiam ter acesso à universidade e os que concluíam o ensino técnico e nesta condição permaneciam por terem o acesso impedido pela não equivalência dos cursos secundários. A instauração de um tronco comum assinala a democratização do ensino. As alterações propostas garantem que o primeiro e mais importante dos princípios do Plano seja assegurado ou seja, o princípio da justiça, da igualdade de oportunidades. Acompanha o desenrolar dessas ações vitoriosas que servem de contraponto ao momento de descrédito vivido durante a sua graduação.

Em Paris, entra também em contato com o trabalho de René Zazzo, assistente de Wallon no Centro Nacional de Pesquisa Científica - CNRS. Havia, então, Zazzo, sob a orientação de Wallon, obtido uma bolsa de estudos para o laboratório de Gesell na Universidade de Yale, onde se especializou em psicologia da criança. Ao retornar de Yale, Zazzo publica, em 1942, o seu primeiro livro sobre os pioneiros da psicologia americana "Psychologues e Psychologies d'Amériques" e, como Wallon, também ingressa na Resistência.

Em 1945, por solicitação de Wallon, Zazzo funda os primeiros serviços de psicologia escolar, reforçando a tradição francesa, que remonta a Binet, de aplicação da psicologia na educação e, cumprindo um dos princípios do Plano Langevin-Wallon, o da orientação escolar e profissional. Zazzo tornou-se uma grande influência na formação teórica de Alice com a sua fundamentação do trabalho de orientação escolar (sistematizada na obra "Psychologie Scolaire" de 1953) e na prática da orientação profissional.

Ao retornar de Paris, Alice inicia sua vida profissional, no final de 1948, como assistente do professor de Administração Escolar e Educação Comparada na Faculdade de Filosofia, sem vínculo formal, como acontecia, naqueles tempos, com quase todos os professores em início de carreira.

Em março de 1950 assume a cadeira de Psicologia Educacional, na mesma Faculdade, e a portaria de nomeação, conforme a burocracia da época, somente ocorre em 11 de julho de 1952, com efeito retroativo a 1950.

Na Faculdade de Filosofia dedica-se, primordialmente, ao Curso de Pedagogia, lecionando Psicologia Educacional no 3º ano direcionando a disciplina para a Psicologia Diferencial e, no 4º ano, para a orientação educacional e vocacional. Nas duas disciplinas, a sólida formação conquistada na França, o afinco com que se dedicava aos estudos e o interesse permanente pelos avanços da psicologia no mundo, transformavam o seu trabalho no maior diferencial na formação dos pedagogos da Faculdade de Filosofia. Exigente com a diversificação bibliográfica, não admitia que as respostas às questões de suas provas revelassem a utilização das mesmas fontes bibliográficas. Cobrava dos alunos a busca de fontes diversas para a resolução das questões propostas.

Apesar de não ser um requisito formal do Curso de Pedagogia, orientava, como trabalho final do 4º ano, a realização de uma pesquisa com todo o rigor metodológico que se podia exigir dos graduandos. Esse era o grande momento do curso, tanto pelo que resultava em aprendizagem, quanto pelos vínculos afetivos que se consolidavam entre os colegas e entre ela e seus discípulos. O trabalho de investigação científica, individual, com tema escolhido conforme o interesse pessoal se definia no início do ano, para que todas as etapas da investigação pudessem ser cumpridas. Ao longo do segundo semestre, com os dados já coletados pelos alunos, reunia-os em seu apartamento, à noite e aos sábados para orientação individual que resultava, também, num momento de aprendizagem coletiva. Aprendia-se com o desenvolvimento do trabalho do outro. Esses encontros terminavam com uma demonstração das habilidades culinárias de Alice, motivo de grande orgulho para ela, quando servia a seus alunos o lanche que encerrava o trabalho do dia. Tiveram o privilégio de viver essa experiência, os que, nos anos sessenta, integravam as pequenas turmas do curso de Pedagogia.

Nos anos de 1952 e 1953 encontra no SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - o espaço de trabalho que vai definir, por toda a sua vida, o interesse pela orientação vocacional. Nesse período, torna-se estagiária do Departamento Nacional do SENAC, na Bahia. Em 02 de janeiro de 1954 ingressa nos seus quadros como Conselheira de Orientação Profissional, marcando sua passagem nesta Instituição pela dedicação, zelo e competência no exercício da supervisão, orientação e coordenação de todas as atividades do Setor de Orientação Educativa e Profissional. Realiza e supervisiona as pesquisas nesta área promovidas pelo SENAC. No exercício dessa atividade mantém importantes contatos com outros pesquisadores, com destaque para o professor Pierre Weil, diretor do Departamento de Pedagogia e Orientação Profissional, da mesma instituição, no Rio de Janeiro, no período de 1949 a 1958. Acompanha o desenvolvimento do trabalho desse ilustre pesquisador que resultou no Teste INV (Inteligência não Verbal) e sua aplicação à população brasileira e manteve com ele relações profissionais e de amizade durante toda a sua vida. Seu afastamento somente ocorre, quando novas atribuições lhe são confiadas na Universidade Federal da Bahia. Mas, no final de sua vida profissional, retorna ao SENAC e chega a assumir a Diretoria da Divisão de Formação Profissional e com essa ascensão profissional consolida brilhantemente a sua passagem por essa Instituição que se encerra em 06 de julho de 1979.

O ano de 1955 foi de intensa atividade para Alice. De 11 a 25 de abril participa do Seminário Latino Americano de Psicotécnica e da Semana de Orientação Profissional no Rio de Janeiro. Mantém contatos e conhece de perto o trabalho que então se desenvolvia no ISOP - Instituto Superior de Orientação Profissional da Fundação Getúlio Vargas - dirigido pelo Dr. Emílio Mira y Lopez. A participação nesse seminário e o encontro com o professor Mira y López vão ser de fundamental importância para a criação de um centro de orientação vocacional na Bahia. Viaja para o Uruguai e a Argentina, em busca do aprofundamento dos estudos em orientação escolar e em orientação vocacional e profissional, visitando centros dirigidos a essas atividades. Complementa, desse modo, estudos que haviam sido intensificados no ano anterior, quando realizou estágios no sul do país.

Em 1957 retorna à Argentina para uma nova temporada de atualização.

No final dos anos 50, surgem no Brasil, os Colégios de Aplicação, inicialmente implantados na Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro, em 1948, e na Faculdade de Filosofia da UFBA, em 1949. Essa experiência representa um sopro inovador no ensino secundário público com a modernização do ensino da matemática, da língua portuguesa e das demais disciplinas do currículo. Funcionavam como centros de treinamento didático dos licenciandos, isto é, dos futuros professores secundários formados pelas faculdades de filosofia. O ensino no Colégio de Aplicação da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal da Bahia alcançou uma qualidade excepcional e se tornou uma referência em inovação, tanto para a rede pública, quanto para a rede privada de ensino secundário. Durante a gestão da professora Leda Jesuíno (1958-1964) o Colégio da Aplicação, prosseguindo em sua trajetória inovadora, estrutura dois serviços técnicos específicos: a Coordenação Pedagógica (COP) e o Serviço de Orientação Educacional (SOE). Alice Costa é então convidada pela Diretora para, na condição de psicóloga, dirigir o SOE. O credenciamento como psicóloga havia sido pioneiramente concedido pelo Ministério da Educação e da Cultura pelos serviços prestados na área, no exercício da atividade clínica, em Salvador. Nessa atividade, marcada pelo pioneirismo, direciona sua ação para o acompanhamento dos alunos em seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e comportamental, apoiando-os na melhoria do seu rendimento escolar. Mas, centra também a sua atuação no desenvolvimento das relações interpessoais do aluno com seus colegas, professores, no diálogo com os pais e na assistência psicológica à escolha vocacional. Para tanto, os estudos de pós-graduação realizados na Sorbonne, especialmente os ministrados por Zazzo, encontram campo fértil para a sua aplicação. Os progressos do Colégio de Aplicação nesses dois domínios influenciam outros estabelecimentos de ensino médio que terminam por instalar em suas dependências os serviços de orientação educacional e de coordenação pedagógica, tendo como referência o SOE e a COP do Aplicação.

A participação, em 1955, no Seminário Latino Americano de Psicotécnica e na Semana de Orientação Profissional no Rio de Janeiro lhe oportunizou o encontro com Dr. Emilio Mira y López, considerado internacionalmente a figura de maior destaque no âmbito da psiquiatria, psicologia e psicotécnica hispano-americana do século XX. Mira y López era espanhol e após o fim da guerra civil espanhola, em 1939, se exilou na França e acabou por se instalar na Argentina em 1940, daí expandindo sua atuação por vários países da América Latina. Depois de inúmeras viagens ao Brasil para proferir palestras e ministrar cursos, inclusive na recém-criada Faculdade de Filosofia da Bahia, termina por se mudar para o Rio de Janeiro para, na Fundação Getúlio Vargas, ocupar o cargo de diretor fundador do Instituto de Orientação Profissional do Rio de Janeiro - ISOP, em 1946, exatamente quando percebeu que não mais poderia retornar a sua terra natal com a vitória do franquismo. Esse grande especialista em orientação vocacional não limitou a sua atuação ao Rio de Janeiro e procurou amplia-la por outros estados brasileiros, inclusive a Bahia.

Vivia a Universidade Federal da Bahia na década de 50 um período de grande efervescência sob o reitorado de Edgard Santos e neste ambiente favorável foi criado, em 1958, o Instituto de Orientação Vocacional. E como resultado da atuação amplamente reconhecida, em seus primórdios, o IDOV teve como orientador científico o Dr. Emilio Mira y López e na função de vice-diretora Alice Costa. Esta parceria possibilitou ao Instituto a realização de trabalhos da mais alta relevância na área da orientação vocacional e profissional e no desenvolvimento da psicotécnica. O primeiro deles foi o Projeto de Aplicação e Validação de Testes de Inteligência e Questionário de Interesses Profissionais realizado nas escolas de Salvador e área metropolitana, tendo Alice Costa como coordenadora dos alunos dos cursos de Pedagogia, Filosofia e Estatística, partícipes do Projeto. Para o desenvolvimento desse trabalho a experiência levada a cabo pelo professor Pierre Weil, com a Pesquisa sobre o Nível Mental da População Brasileira, foi uma referência valiosa para ela.

Em 05 de agosto de 1961, Alice de Oliveira Costa foi nomeada, pelo então reitor Albérico Fraga, diretora do IDOV exercendo essa função até 27 de janeiro de 1966. Transforma o IDOV num centro de referência, acolhendo os jovens que desejavam encontrar uma ajuda especializada na escolha da carreira profissional, como também num centro de investigação e discussão dos problemas e progressos da Psicologia no mundo. Pesquisadores de renome nacional e internacional por lá passaram.

Ávida por novos saberes e com uma inquietante e permanente curiosidade intelectual, em 1966, aos cinqüenta e cinco anos de idade, quando as mulheres de sua geração acreditavam-se velhas, retorna à França para uma nova temporada de estudos. Hospeda-se nos dois primeiros meses com o casal Waldir e Iolanda Pires, então exilados, no subúrbio norte de Paris. Em seu retorno proporciona aos alunos e ex-alunos, além das novidades científicas, impressões sobre as transformações operadas na Europa, sobre os movimentos artísticos e culturais e sobre a situação dos exilados brasileiros que lá se encontravam. As observações, sobre tudo o que vira, eram únicas, extraordinariamente ricas e originais, distantes de qualquer rigidez ou armadura ideológica, como costumavam ser as análises do período. Em síntese, traduziam a sua personalidade aberta ao mundo, livre dos estereótipos e dos preconceitos.

A partir de fevereiro de 1968, com a reestruturação da Universidade Federal da Bahia segundo a Reforma Universitária, o Departamento de Pedagogia e o Colégio de Aplicação da antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras passam a integrar uma nova unidade de ensino e pesquisa a Faculdade de Educação. Em 1969, a FACED se instala com inúmeros desafios a responder. Alice se engaja na resolução dos problemas que a reformulação do curso de Pedagogia ensejou, qual seja a de consolidar a formação dos pedagogos através das novas habilitações em Supervisão Escolar, Orientação Educacional, Administração Escolar e Magistério das Matérias Pedagógicas.

Responsável pela disciplina Orientação Vocacional, integra-se ao Núcleo de Orientação Educacional e com Maria Augusta Abdon desenvolve um importante trabalho que, com justiça, se poderia afirmar ter sido o período áureo da Orientação Educacional na Bahia. Maria Augusta cria e preside a Associação de Orientadores Educacionais da Bahia, vinculando-a a Federação Nacional de Orientadores Educacionais, e desenvolve com o apoio de Alice um trabalho extraordinário que ultrapassa o âmbito da Faculdade de Educação da Ufba ao envolver os cursos de Pedagogia da Universidade Católica de Salvador e da Faculdade de Educação da Bahia. São realizados inúmeros Encontros e Congressos de Orientação Educacional de caráter estadual e um encontro anual de estagiários de orientação educacional. Nesses encontros anuais de estagiários o alto nível dos trabalhos apresentados eram, sem dúvida, o resultado da meticulosa orientação de Alice e de Maria Augusta.

Sempre aberta à participação em experiências inovadoras, foi convocada por Zahidé Machado Neto e Joselice Macedo de Barreiros, em 1968, para participar da realização do primeiro vestibular da Faculdade Estadual de Educação de Feira de Santana, a primeira faculdade voltada para a formação de professores que o Estado da Bahia implantou, em seu processo de interiorização do ensino superior. Esse vestibular buscou inovar o processo de seleção dos alunos, através de provas que avaliavam mais as competências necessárias aos estudos de nível superior do que os conteúdos exigidos nos vestibulares tradicionais. Para complementar esses instrumentos, foi introduzida uma etapa de "avaliação psicológica" dos candidatos composta da aplicação de testes psicológicos de habilidades cognitivas, interesses vocacionais e uma entrevista para conhecimento dos candidatos. A coordenação dessa etapa esteve a cargo de Alice Costa com a participação de Yara Maria Cunha Pires, sua discípula e professora de Psicologia da nova Instituição. Essa avaliação tinha por objetivo conhecer os candidatos e ajudar a nova instituição no desenvolvimento de suas atividades. Essa inovação só ocorreu no primeiro e no segundo vestibular e inviabilizou-se nos posteriores, com a ampliação do número de concorrentes.

A aposentadoria compulsória em 06 de fevereiro de 1981 não encerrou, nem diminuiu a atividade intelectual de Alice. Até o final de sua vida manteve-se atualizada com os progressos da psicologia, estudando os temas mais em voga, aprendendo o alemão e antenada com o mundo.

E, finalmente, um testemunho de alguém que teve a oportunidade de usufruir da condição de aluna e o privilégio de conviver para além da sala de aula com dona Alice: foi uma mulher de qualidades excepcionais, como profissional e como pessoa, muito à frente das mulheres do seu tempo. Viveu em sua plenitude o século XX com suas contradições, divisões e transformações. Na vida acadêmica conviveu com a dicotomia ideológica que a dividia entre direita e esquerda, marxismo e liberalismo e outras dicromáticas formas de ver e explicar o mundo. Sabiamente interagiu com posições divergentes, do marxista Henri Wallon ao espiritualista e ideólogo da paz Pierre Weil, absorvendo as lições desses e de outros destacados psicólogos como Mira y López e René Zazzo. Como fruto de tão significativas influências desenvolveu, num mundo polarizado, no qual predominava apenas a visão de duas cores, um olhar matizado, uma percepção refinada, onde o amplo espectro das cores se tornava possível. Transitou com leveza entre as diversas correntes psicológicas e viveu em tão alta sintonia com a Psicologia que se despediu da vida, em 1996, de forma emblemática, na data em que se comemora o dia do psicólogo - 27 de agosto.

Por essas razões, Alice de Oliveira Costa marcou a sua passagem como uma grande educadora e psicóloga da Bahia e, pela riqueza de suas contribuições, a Academia de Educação de Feira de Santana a reverencia com a cadeira de número 1.

Yara Maria Cunha Pires é membro fundador da Academia de Educação de Feira de Santana, ocupando a cadeira de n.1, cujo patrono é Alice de Oliveira Costa.


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