CADEIRA NÚMERO 8

PATRONO

GEORGINA DE MELLO LIMA ERISMAN
(1893 - 1940)

Poetisa, declamadora, musicista, compositora, professora, pianista, natural de Feira de Santana, filha de Camilo de Mello Lima e Leolinda Bacelar de Mello Lima.

Nascida em 27 de janeiro de 1893, recebeu o nome de GEORGINA DE MELLO LIMA. Seus primeiros ensinamentos educacionais e musicais foram no lar com a mãe Leolinda Bacelar.que era pianista e professora do município.

Matriculada em uma escola complementar, já no início das primeiras aulas demonstrava o dom artístico, com ensaios de alguns poemas e nos intervalos das aulas, juntamente com as colegas, fazia encenações teatrais. Georgina, aos poucos, ia desenvolvendo a sua parte intelectual. O seu pai, Camilo, colaborava com algumas crônicas nas publicações nos jornais da cidade.

O sonho de criança alimentava o desejo de tornar-se professora de música e ter a própria escola. Cada vez mais aplicando-se na perfeição, Leolinda, notando a evolução desta, resolve matriculá-la no Instituto de Música da Bahia, iniciando-se no estudo de piano e no Conservatório de Música. Para aprimorar, ainda mais, os conhecimentos específicos, vai ao Rio de Janeiro, permanecendo por um período razoável, estudando harmonia e composição, envolvendo-se nas atividades artístico-culturais a ponto de receber elogios da imprensa carioca.

De retorno a Feira de Santana, Georgina realiza várias apresentações lítero-musicais no Teatro Santana, em benefício do Clube Coreógrafo Dois de Julho, Asilo Nossa Senhora de Lourdes, Albergue Noturno, Igreja Senhor dos Passos, Igreja Senhor do Bonfim e em beneficência de crianças órfãs. Sempre requisitada para dar aulas de piano em domicílio, resolveu abrir um curso em sua residência.

No Edifício Mandacaru, à rua Conselheiro Franco, funcionava a Pensão Universal, de propriedade dos pais de Georgina. Ali se tornou um lugar privilegiado pois, além de pousada de viajantes, vendedores, e comerciantes que visitavam Feira de Santana, era ponto de encontro da população. Na sala de música da Pensão, muita gente se fazia presente para ouvir Georgina executar ao piano belíssimas partituras musicais de sua autoria. Foi lá que o hóspede Walter Tudy Erismann, atraído pela pianista, demonstrou admiração e entusiasmo, iniciando daí um namoro que foi transformado em matrimônio no dia 8 de setembro de 1926.

Formada em Magistério, Georgina Erismann foi nomeada Professora de música e canto da Escola Normal de Feira de Santana. Das atividades consta a formação de um coral e o lançamento de um hinário. Na comemoração do primeiro aniversário da Escola Normal, sob sua regência, na apresentação do coral de alunas, canta pela primeira vez o Hino à Feira. As datas cívicas eram sempre comemoradas com sua participação.

Inspirada, Georgina Erismann continuou produzindo seus poemas, hinos e crônicas, algumas dessas obras publicadas nos jornais de Feira e da capital. Alguns de seus poemas: Adeus, Adeus Bahia, A Fuga das Andorinhas, Balão, Bimbo, Chuva, Elegia, Exortação, Inquietude, Mestra, Quaresma, Rede, Solicitude, Zabumba, etc. Hinos: À Bandeira Brasileira (em parceria com Gastão Guimarães), À Feira, Ao Trabalho, Ao Três de Maio (em parceria com Maria Luiza de Souza Alves), Canção Patriótica e Redenção (Para Treze de Maio).

Pelos seus méritos, em agosto de 1936, foi indicada pelo Governador do Estado, Capitão Juraci Magalhães, para representar oficialmente a Bahia na grande Feira Artística, Industrial e Comercial, realizada na cidade de Campinas, Estado de São Paulo, em homenagem ao Centenário de nascimento do maestro Carlos Gomes.

Cumprindo o programa de comemorações, nas suas apresentações na cidade de Campinas, é Georgina Erismann aplaudida pelo seu talento, tendo recebido vários convites para apresentações. A sua atuação brilhante rendeu uma Moção de congratulações da Câmara de Vereadores deste Município, pelo Vereador Áureo de Oliveira Filho.

Em 13 de junho de 1937 foi inaugurada a Escola de Música de Feira de Santana, anexa ao Instituto de Música da Bahia, tendo como Diretora Georgina Erismann. Em 1º de agosto de 1939 a Escola é transferida para o Ginásio Santanópolis, em solenidade que se tornou numa verdadeira Festa Lítero-musical. Em setembro de 1939 Georgina e seu esposo partem para o Rio de Janeiro onde passaram a residir. Em 7 de fevereiro de 1940 publica sua última obra, "Solicitude", que se constitui numa forma que encontrou para se despedir do convívio de Feira de Santana. No dia 23 de fevereiro do mesmo ano Georgina tem um mal súbito e falece em sua residência, sendo sepultada no Rio de Janeiro. Os meios de comunicação do país registraram o seu falecimento. Georgina não teve filhos.

Após o seu falecimento, foram prestadas homenagens, dentre elas: a Escola de Música de Feira passou a denominar-se Escola de Música Georgina de Mello Erismann. Em novembro de 1951 a Câmara de Vereadores de Feira de Santana denomina uma rua com seu nome: rua Professora Georgina Erismann. Em 1981, uma Escola Estadual de 1º Grau no bairro Jardim Acácia foi denominada Georgina de Mello Erismann. Na Rua Santos Dumont, funcionou uma Escola de Balé denominada Georgina Erismann.

"Ninguém cantou tanto a sua terra, o seu povo e a sua cultura como Georgina Erismann! Tanto em prosa quanto em verso, ela louva intensamente o torrão em que nasceu".


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